A arte do Pás

A proposito de uma piada com um amigo sobre a natureza do Aikido e a falta de harmonia entre os aikidocas… Aikido a arte da Paz ou a arte do Pás?

Se ouvirem bem o som do video percebem que a opinião do Chiba Sensei é mais a arte do Pás!

 

 

De volta aos estágios de Aikido em França!

Este fim de semana fui pela primeira vez a um estágio do Mickael Martin em Les Herbiers. Já o conhecia enquanto colega nos estágios de Lesneven e sempre admirei a forma como tinha assimilado o Aikido do Mestre Tamura. Este estágio foi a confirmação de que o Aikido do Mestre Tamura continua vivo na pessoa do Mickael. Fui, gostei e recomendo!! Fiquei fan, um aikido genuino, directo,sincero e descontraído.

Apesar da sua idade já tem um grupo com dimensões internacionais chamado Meiwakan Aikido  com membros em França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Hungria, Holanda e Tunisia!

 

 

 

 

E agora…

E agora, que escrever no blog…?

Informo o mundo que a minha classe de Aikido que decorria nas instalações do GDINE encerrou as inscrições. Funcionará até ao final da época apenas com os alunos inscritos neste momento.

Aikido no GDINE

Já arrancaram as aulas de Aikido no Grupo Desportivo do INE. Os interessados podem consultar mais informação no cartaz ou na nossa página do Facebook ( https://www.facebook.com/pages/Aikido-GDINE/168462506518961 )

Escolhas…

O Gonçalo há uns dias colocou um post no seu blog que era assumidamente só sobre ele. Hoje é a minha vez😉

Confesso que há muitos dias em que acordo e penso: “mas porque raio escolhi eu fazer biologia em vez de uma treta qualquer que me desse um emprego estável, daqueles que pagam mal mas que se trabalha das 9h às 17h.e depois vai-se para casa vegetar em frente à TV?”. Não escondo que esses dias vão aumentando de frequência… e provavelmente aumentarão ainda mais… ou não? Com a minha saga recente de concorrer a empregos a sério fui obrigado a fazer CVs e a escrever cartas de candidatura a resumir a minha “carreira” e fiquei alegremente surpreendido. Para um tipo que não tem um emprego fixo já consegui fazer umas coisas engraçadas. A produção cientifica não é excepcional mas também não me envergonha, e isso soube-me bem. Soube bem também descobrir o montante financeiro que já consegui angariar para realizar ciência ao longo da minha curta “carreira”. Actualmente é um factor muito importante para arranjar emprego na área da ciência… Somando bolsas e projectos já consegui angariar uns orgulhosos 416 000 €, este valor será insignificante para quem estuda coisas que a generalidade das pessoas acha importantes, e.g. cancros, diabetes, etc… mas para quem estuda microalgas que vivem na lama até não me saí mal…!  Mas o que me soube mesmo mesmo bem foi ver a quantidade de pessoas e sítios onde a biologia me levou. Aqui vai: Escócia, Inglaterra, País de Gales, Irlanda, França, Espanha, Alemanha, Holanda, Rep. Checa e Coreia (este é só em Novembro). Em todos estes sítios conheci e mantenho contacto com dezenas de pessoas que me influenciaram e que continuarão a influenciar por muitos mais anos (espero…).  Este é de longe o melhor aspecto da “minha” biologia. Olhando para o passado… escolhia outra profissão? Não! Posso não ter um emprego a sério… mas pelo menos divirto-me à brava.

Mas a biologia não influenciou só a parte cientifica, também teve um papel importante na minha forma de estar no Aikido actualmente. Bem sei que olhar para o passado e imaginar uma linha directa para o presente é sempre fácil…e às vezes é tentador… mas hoje apetece-me. Um hábito que adquiri assim que comecei a viajar por causa dos meus estudos foi investigar se no sitio onde eu ia estar existia Aikido. Assim… ainda antes de começar o doutoramento na Escócia já sabia que existia um clube de Aikido em St. Andrews e já tinha combinado que passaria por lá para experimentar os treinos. Não posso dizer que fiquei impressionado com a qualidade técnica do clube mas fiquei certamente impressionado com a qualidade humana do clube. Muito mais descontraídos do que aquilo que eu estava habituado em Portugal e acima de tudo dispostos a aceitar Aikidos diferentes daquilo que estavam habituados. Acho que foi aqui a primeira vez que despertou em mim o interesse na parte social/comunitária do Aikido, até este momento era só a parte técnica que me interessava, mais nada… acho que como todos os putos queria mesmo era ser o melhor aikidoca do mundo… depois mudei. Graças à biologia comecei a ver outros sítios, a conhecer outras pessoas e cheguei à conclusão que era ainda mais interessante se pudesse juntar ao meu interesse técnico uma componente social e humana, conhecendo outros aikidocas e outros sítios. Confesso que na Escócia nunca percebi se era mais importante ir ao treino ou à sessão de Akido no Pub que se prolongava pela noite fora, regada com muita, muita cerveja. Mas parece-me que isso não era importante, nem para mim nem para eles… Aqui falava-se muito do estágio de Lesneven com o mestre Tamura e despertou em mim a vontade de tentar ir a Lesneven ver como é que aquilo era com os meus olhos…. como sou um xoninhas não e queria ir sozinho,melguei o Gonçalo até finalmente conseguirmos alinhar disponibilidades e rumarmos para  Lesneven (acho que foi em 2003). A partir daí começou a germinar mais qualquer coisa. Reencontramos o António Barbas que já não ia a Portugal há uns anos e começou a amizade que existe actualmente. Foram várias as idas a Lesneven e multiplicaram-se as idas a Franças, nomeadamente aos estágios de Profs da FFAB, possibilitados pela ajuda do António. Foi num desses estágios que conhecemos aquele que é agora o nosso Director técnico (Prof. Nebi Vural), também pela “mão” do António. Daqui até à UPA ainda demorou um bocado e envolveu muito mais gente… mas para mim, no final, fica a enorme satisfação de ter ido a Lesneven em 2003, com o Gonçalo e a Micas, e a sorte de ter escolhido fazer um doutoramento em biologia na Escócia!

Depois desta conversa toda agora só me falta arranjar um emprego!! Alguém me arranja um tacho?

Os mestres também dançam.

Faz hoje 1 ano que o Mestre N. Tamura faleceu. Não foi um ano fácil, a sensação de ficar órfão é difícil de afastar e implica tomar decisões para as quais não se nasce preparado.

Conheci o Mestre em 1991 quando iniciei a prática de Aikido e o fascínio foi instantâneo. O Mestre Tamura irradiava muitas sensações diferentes. Se por um lado era a imagem do Mestre Japonês tradicional, sério, rigoroso e profundamente marcial; por outro lado era frequente vê-lo com um enorme sorriso no meio dos praticantes e a ensinar com uma paciência infinita aquilo que nenhum de nós conseguia aprender. Agora que já não o temos no tatami ficam as recordações que durarão aquilo que a memória conseguir guardar.

O meu primeiro pensamento quando vi o Mestre foi o de incredibilidade, simplesmente não queria acreditar que de facto ele conseguia projectar as pessoas com ar de quem fez o esforço de se pentear. Mas era precisamente isso que ele fazia… como depois tive oportunidade de experimentar pessoalmente, muitas vezes. Passei de descrente a fervoroso seguidor! Passei a achar que o ele fazia só podia ser magia, ou outra arte esotérica e que nunca iria sequer começar a perceber o que é que se passava… Com o tempo esse misticismo esmoreceu um pouco e comecei a interessar-me mais pelo lado humano do Mestre. Quantos mais “Mestres” se cruzavam na minha vida mais surpreendido com o “meu” ficava. Lentamente o lado “divino” foi diminuindo na minha mente e o lado humano do Mestre foi crescendo, crescendo até substituir o outro. Sobrou a imagem de um Mestre que  persistentemente trabalhava o seu Aikido diariamente, procurando melhorar sempre e procurando o seu lugar no mundo mas que simultaneamente se preocupava muito com as pessoas que o rodeavam e que fazia um esforço quase inumano para que elas se entendessem em conjunto. Se tivesse de escolher entre apenas uma recordação do Mestre Tamura essa seria aquela que eu queria reter. Preferia esquecer todos os ikkyos e shihonages que ele me tentou ensinar a esquecer que ele era uma pessoa com um enorme sentimento de partilha e de amizade. A imagem que quero reter é a imagem de um grande senhor que além de ser um expoente de Aikido era amigo das pessoas. Sentava-se à mesa com elas, trocava brindes, contava histórias e dançava. Nunca me quero esquecer que ainda andava eu a lutar com a minha vergonha de dançar à frente de uma centena de Aikidocas e já lá estava ele na “pista” a dançar ao som de Madonna sem vergonha nenhuma, com a sinceridade que todos recordamos.

O Mestre que tinha orgulho de ser humano e não tinha vergonha de dançar, é esse o Mestre que quero recordar sempre…

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